Acusação de Marinho é mais grave do que a de Moro. E como notas de PF e PGR

Acusação de Marinho é mais grave do que a de Moro

Por Reinaldo Azevedo 18/05/2020 - 10:50 hs

Reinaldo Azevedo, que publicou aqui o primeiro post no dia 24 de junho de 2006, é colunista da Folha e âncora do programa "O É da Coisa", na BandNews FM. No UOL, Reinaldo trata principalmente de política; envereda, quando necessário — e frequentemente é necessário —, pela economia e por temas que dizem respeito à cultura e aos figurinos. É uma das páginas pessoais mais longevas do país: vai completar 13 anos no dia 24 de junho.

A Polícia Federal e a Procuradoria-Geral da República se manifestam sobre a acusação feita por Paulo Marinho. Diz a PF:

A Polícia Federal esclareceu, em relação à matéria 'PF antecipou a Flávio Bolsonaro que Queiroz seria alvo de operação', na edição online da Folha de SP, nos dados de ontem (16/5), o que segue:

A Polícia Federal se notabilizou por sua atuação firme, isenta e imparcial no combate à criminalidade, dentro de suas atribuições legais e constitucionais.

A matéria em questão aponta a eventual atuação em fatos irregulares, de pessoa alegadamente identificada como policial federal, no bojo da denominação operação "Furna da Onça".

A referida operação policial foi deflagrada no Rio de Janeiro em 11/08/2018, tendo os respectivos mandados judiciais foram expedidos pelo Tribunal Regional Federal da 2° Região, por representação do Ministério Público Federal, em 31/10/2018, portanto, poucos dias úteis antes de sua deflagração.

Esclarece-se, ainda, que notícia anterior, sobre suposto vazamento de informações na operação "Furna da Onça", foi regularmente investigado pela PF através do Inquérito Policial n° 01/2019, que encontra-se relatado.

Todas as notícias de eventual desvio de conduta devem ser apuradas e, sentido nesse, foi determinada, nos dados de hoje, a instauração de novo procedimento específico para a apuração dos fatos apontados.

A Procuradoria-Geral da República, por 
sua vez, informa: "O procurador-geral da República analisará o relato junto com a equipe de procuradores que atuem em seu gabinete em matéria penal".

COMENTO

Em nome da precisão, lembro que a entrevista de Mônica Bergamo com Paulo Marinho está na edição online e impressa da Folha de S. Paulo.

A PF não deixa claro o tipo de investigação que decidiu abrir: se inquérito — pode fazê-lo por iniciativa própria, sem ser demandada pelo Ministério Público — ou um sindicância interna. Se de fato já fez alguma coisa, deve ter optado pelo segundo caminho, à espera da decisão da Procuradoria-Geral da República.

Quanto à PGR, dizer o quê? Com a mesma celeridade com que Augusto Aras anunciou que pediu autorização ao STF para abertura de inquérito — depois que Sergio Moro fez seu pronunciamento —, pode indo agora anunciar que as informações de Marinho são agregadas ao dito-cujo, dando ensejo a novas diligências.

Afinal, as afirmações feitas pelo empresário são muito mais graves do que as feitas por Moro. Elas acusam não apenas um conluio entre um braço da PF e um candidato, que se elegeu presidente, como apontar para uma interferência indevida, ainda que indireta, no próprio processo eleitoral.

Aras pode deixar de lado a modéstia. Não há tergiversação possível, sob pena se submeter a PGR ao mais arreganhado interesse político.

A entrevista de Marinho é uma espécie de fio que pode desfazer um emaranhado.