REDES SOCIAIS: Ataques, calunias e mentiras...como contê-los

Por Paulo Sergio 09/11/2019 - 07:51 hs

O agente decisivo das eleições de 2020 está no seu bolso, e não é o seu dinheiro, mas o seu celular. Mais especificamente as conversas de WhatsApp, postagens de Facebook e vídeos no Twitter que apitam nele o dia todo.


Esse tipo de informação vai ter um papel cada vez mais importante na decisão de voto. Não apenas porque há mais gente do que nunca nas redes sociais (mais da metade da população brasileira está no Facebook), mas porque haverá menos dinheiro nas campanhas eleitorais. Com empresas proibidas de fazer doações e a Justiça vigiando o caixa dois, os POLÍTICOS irão preferir centrar o fogo onde já têm milhares de “fãs”, em vez de criar propagandas caras. Essa mudança não só faz sentido economicamente, mas parece uma consequência natural de como nos organizamos: conversamos mais na internet, inclusive sobre política – logicamente, os candidatos vão querer participar da discussão. A princípio, não há nada terrível ou surpreendente nisso.

Mas converse com acadêmicos e estrategistas e o papo sobre política nas mídias sociais logo ganha contornos bélicos. Fala-se em “táticas de guerrilha”, “exército de robôs” e “campanha de desinformação”, como se o Facebook fosse um campo minado em que inocentes tentam navegar entre fotos de cachorros.

Essa noção de que as discussões sobre política no Facebook são coordenadas por grupos mal-intencionados é incrivelmente superestimada. E só atrapalha na hora de entender por que eleitores escolhem um ou outro político. No fim, a crença de que essas estratégias estão presentes é a causa e a consequência da polarização em que vivemos. Para quem vê conspiração em tudo, há dois campos na internet: “eles”, os que espalham mentiras, inclusive usando complicadas tramas tecnológicas, e “nós”, pessoas bem-intencionadas, alvos das mentiras.


Não que a paranoia tenha surgido do nada, claro. Uma reportagem da BBC Brasil revelou a existência de “fazendas de perfis falsos”: por R$ 1,2 mil por mês, uma pessoa controlava 18 pessoas no Facebook e no Twitter para elogiar um candidato ou compartilhar o que mandavam. Esses fakes atuaram em 2018 e seguem atuando. Nos EUA, houve um certo pânico sobre o alcance dos sites criados para espalhar notícias falsas. Descobriu-se que jovens na pequena Macedônia estavam lucrando ao espalhar fake news como a de que o papa Francisco apoiava Trump. Incontáveis artigos foram escritos pedindo que as grandes plataformas online tomassem alguma providência.


O Ibope, que analisa a confiança dos brasileiros em 18 instituições – dos bombeiros à presidência da República –, viu todas elas, sem nenhuma exceção, perderem credibilidade de 2009 para cá.

É claro que nenhuma instituição é perfeita, especialmente no Brasil, longe disso. Mas quando passamos da desconfiança saudável para o cinismo tóxico, de desacreditar nas instituições por padrão, a sociedade inteira perde. Se o primeiro instinto é crer que a mídia mente, que a Justiça é injusta e que todos os políticos atuam primordialmente sobre seus interesses próprios, a visão cínica que se segue nas mídias sociais é mera consequência. Se temos uma visão extremamente negativa sobre um político, “faz sentido” crer que os seus defensores sejam perfis falsos. Se, por outro lado, acreditamos piamente na inocência de um candidato, a ideia de que os jornais estão mentindo sobre ele, e que há grandes interesses por trás, ganha mais força.


Essa desconfiança desproporcional, que ajuda a pintar adversários como inimigos e torna plausíveis teorias conspiratórias, é a raiz de todos os problemas de desinformação hoje. Robôs, perfis fake e os algoritmos do Facebook não causaram isso, nem contribuíram significativamente para a desinformação. O que deve ficar mais claro este ano é que precisamos tomar cuidado mesmo é com gente de carne e osso – elas são bem melhores (ou mais perigosas).


Ataques nas redes sociais, bem como, nos meios de comunicação, certamente já foram iniciados e acontecerão com mais frequência em 2020, ano eleitoral. E "políticos" irão tentar desacreditar oponentes, com o objetivo de vacinar os seguidores contra denúncias irreais. Não caia nessa.