“Comportamento” de políticos tem peso na hora de o eleitor decidir o voto?

Por Paulo Sergio 00/00/0000 - hs

Políticos que a velha política os transformam para pior, infestam a classe política brasileira. Ao menos é o que dizem especialistas da área, diante da atual crise política, e uma profusão de internautas nas redes sociais. Mas será que isso pode influenciar a cabeça e o voto do eleitor, enquanto o País caminha para disputadas eleições municipais?

O cientista político David Fleischer, da UnB (Universidade de Brasília), corrobora com essa visão e afirma que isso tende a se intensificar nas eleições municipais. “Usualmente o eleitor não liga muito para o partido, ele liga para a pessoa do candidato. Nem sempre ele sabe a qual partido o candidato pertence. Numa eleição municipal, ele vota na pessoa, e não no partido. Então trocar de partido não faz muita diferença, porque a pessoa é que é o candidato, e o eleitor vota nominalmente, no nome do candidato que ele conhece”. O problema é que alguns desses políticos que até bem pouco tempo "cuspiam marimbondos" nos adversários e que hoje estão bem mais próximos, ou mesmo até, com parcerias já firmada para o pleito que se avizinha, parecem não se dar conta para isso. O povo, o eleitor, isso enxerga, e o político, por mais razões que possa dar para uma possível união com antes, opositor, hoje aliado, não convencerá a grande maioria e poderá ter grandes revés"

O cientista político Bolívar Lamounier, sócio-diretor da Augurium Consultoria, tem uma visão semelhante. “O troca-troca é uma prática tão enraizada que o eleitor já o vê com certa indiferença, considerando que os políticos são todos muito cínicos a esse respeito. Na eleição municipal, há uma tendência forte a escolher o candidato individual, mais que o partido. Isso também reduz a influência negativa de mudanças [partidárias]”, completa.


Em Lavras da Mangabeira, onde os bastidores políticos tendem a se tornar mais efervescente a partir de fevereiro, para alguns précandidatos a sucessão municipal, em 2020, será muito mais conveniente se aliar do que se opor a uma possivel reeleição do atual prefeito, visto que no bloco opositor o "espaço" começa a estreitar, mais por se opor a estar na oposição, e sim por buscar  candidatura solo. Candidatura essa que parece não ter surtido efeitos esperados até então, daí buscar novos "ares" políticos.

Ainda que não se deva permitir que critérios de moralidade, mais adequados à análise das vidas privadas, substituam a objetividade necessária para a análise dos fatos políticos, pode-se afirmar que a traição político-eleitoral constitui hoje uma das características políticas mais reconhecidas pelos eleitores médios, ou seja, aqueles que têm pouca vivência política, não costumam acompanhar as atividades político-eleitorais e compõem a maioria do eleitorado.