A chuva que atingiu Belo Horizonte e parte do estado de Minas Gerais na noite de ontem deixou um rastro de destruição nas cidades e provocou mais uma morte em decorrência das chuvas. As vítimas fatais agora são 53. O número de desalojados passa de 38 mil e duas pessoas estão desaparecidas, de acordo com o novo boletim Defesa Civil.
Desde o dia 24 de janeiro, 53 pessoas morreram em decorrências das chuvas. A última morte foi registrada ontem, em Nova Lima, na região metropolitana de Belo Horizonte. Um homem morreu após ficar soterrado em um desabamento no beco entre as ruas Lauro Magalhães Santeiro e a rua Lincoln Tolentino, no bairro Cristais. A prefeitura da cidade confirmou a morte.
No município, os índices pluviométricos atingiram 70 milímetros ontem, o que provocou alagamentos e deslizamentos de terras. O trânsito na rodovia MG-030 foi bloqueado em alguns trechos. Ainda não há previsão de liberação.
Entre as mortes no estado, 42 foram causadas por soterramentos, três por afogamentos e oito pessoas vieram a óbito após serem arrastadas pelas águas.
De acordo com o novo balanço, 38.703 pessoas estão desalojadas devido às chuvas. Há 8.157 desabrigados, 65 feridos e duas pessoas desaparecidas.
Um dos desaparecidos é uma mulher que estava em um dos veículos de passeio que caíram em uma cratera na rodovia MG-133, próximo a Tabuleiro, na noite de ontem. Segundo o Corpo de Bombeiros, ela foi levada pela correnteza. As buscas pela vítima continuam. Outra pessoa está desparecida em Conselheiro Lafaiete.
Na capital mineira, as regiões centro-sul e oeste foram as mais atingidas pelas chuvas de ontem. Segundo a Defesa Civil de Belo Horizonte, choveu 175 milímetros entre as 19h e as 22h, mais da metade prevista para todo o mês de janeiro. Para hoje, a previsão é de pancadas de chuva (50 a 70 mm) com raios e rajadas de vento que podem superar os 50 km/h, até as 8h de amanhã.
O Corpo de Bombeiros notificou interdições em quatro avenidas: Tereza Cristina, Mário Werneck, Ursula Paulino e Prudente de Morais. A Defesa Civil emitiu um alerta para que ninguém trafegue em vias próximas ao Córrego do Leitão e ao Ribeirão Arrudas, onde o nível da água sobe rapidamente.
Na região Centro-Sul da capital mineira, moradores registraram os bueiros transbordando e a rua totalmente alagada. No bairro São Bento, um carro e um ônibus ficaram presos em meio ao alagamento.
Parte do teto do BH Shopping, um dos principais shoppings de Belo Horizonte, desabou na noite de ontem decorrência do temporal. Por volta das 20:30 horas, algumas placas do forro de gesso do 4° piso se soltaram. Vídeos postados nas redes sociais mostram o momento exato em que a estrutura de gesso cede. As imagens mostram duas quedas; na segunda, a iluminação também despenca.
Acionado, o Corpo de Bombeiros enviou equipes até o local e não constatou vítimas. Em nota, o BH Shopping informou que a equipe de manutenção atuou para reparar o dano causado pela chuva e o estabelecimento abrirá normalmente hoje.
"No momento do incidente nenhuma pessoa foi atingida. O BH Shopping vem acompanhando com atenção os sérios transtornos causados na cidade pelas chuvas dos últimos dias, e se solidariza com toda a população afetada", disse o shopping, que também montou um ponto de arrecadação de donativos para serem doados aos desabrigados.
Durante a madrugada, as autoridades negaram a informação que circulou durante a noite de que a barragem B3/B3, em Macacos, havia rompido. "Em contato com a Vale, a empresa ressaltou que continua monitorando a barragem e que não há nenhum rompimento", informou a Defesa Civil.
Um decreto do governo do estado colocou 101 municípios em estado de emergência devido às. Outros três também decretaram estado de calamidade pública. São eles: Orizânia, Ibirité e Catas Altas. Além desses, as prefeituras de outros 36 municípios decretaram situação de emergência.
UOL
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