Há 66 milhões de anos, um enorme asteroide atingiu a Península de Iucatã, no México. O impacto levantou uma enorme nuvem de poeira que cobriu a luz do Sol por 500 dias em todo o mundo, impedindo que as plantas fizessem fotossíntese. Sem energia, elas logo morreram, desestabilizando a base da cadeia alimentar. Em pouco tempo os herbívoros seguiram o mesmo caminho. Depois, foi a vez dos carnívoros. O fitoplâncton nos oceanos diminuiu consideravelmente sua produção de oxigênio, e as temperaturas caíram drasticamente. O resultado de todo esse caos foi a morte de 75% das espécies de seres vivos da Terra.
Mas o cenário não foi apocalíptico para todo mundo. Na Cratera de Chicxulub, onde o asteroide devastador exterminou tudo em sua frente, a vida eventualmente voltou a prosperar – e demorou pouco tempo, segundo um novo estudo publicado na revista científica Geology.
Uma equipe internacional de cientistas encontrou evidências de que cianobactérias – tipos de bactérias aquáticas antes conhecidas como “algas azuis” – ocuparam o local do impacto em um tempo que pode ter sido de dias ou alguns anos após a catástrofe. Em termos geológicos, o intervalo é incrivelmente pequeno.
As primeiras bactérias provavelmente chegaram na cratera trazidas por enormes tsunamis que surgiram como consequência do impacto. A água levou consigo diversos sedimentos e restos de plantas, fungos e estromatólitos (rochas fósseis formadas por microrganismos) – e a mistura resultante formou um ambiente propício para a reprodução da vida microbiana, mesmo que o local fosse escuro e extremamente quente. Em pouco tempo, a cratera estava tomada por cianobactérias.
A descoberta é condizente com o que sabemos sobre bactérias até então: elas são seres extremamente resistentes e já foram encontradas em ambientes extremos como geleiras e vulcões. A equipe afirma que os resultados ajudam a entender como a vida retorna à normalidade após situações catastróficas e que pretende continuar estudando registros fósseis de outras extinções em massa da história.
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