Em uma live promovida pelo Sinduscon-Ceará, o secretário de Saúde do Ceará, Carlos Roberto Martins Rodrigues Sobrinho (Dr.Cabeto), não amenizou nas projeções e disse que trabalha no pior cenário: “Vamos ter morte e é muita. Em meados de maio terá em torno de 250 mortes por dia em Fortaleza. Não posso ser brando porque os dados não nos permitem”, disse o secretário ao afirmar que, nas circunstâncias dos casos de hoje, não há Equipamentos de Proteção Individual para os profissionais de saúde que estão no combate direto à Covid-19 “para mais sete dias”.
A fala de Cabeto explica o tom pessimista da carta que publicou em suas redes sociais no último domingo. “O Covid vai deixar marcas indeléveis a nossa sociedade! Vai expor as feridas como outrora aconteceu em outras tragédias”, escreveu o secretário.
A fala do secretário para os empresários foi uma defesa firme das políticas de isolamento social como única forma de permitir ao sistema de saúde as condições para se estruturar para atender à demanda por atendimento médico.
As avaliações, inclusive do Ministério da Saúde, apontam para o fim de abril e início de maio o pico das pandemia do coronavírus no Brasil. A projeção se baseia nas comparações com outros países a partir da detecção das primeiras internações.
Na live do Sinduscon, intitulada “A construção civil e a saúde na pandemia”, o empresário José Martins Aderaldo declarou que “não esperávamos que a situação estivesse tão grave”. A intenção dos empresários na conversa com o secretário foi conseguir algum nível de funcionamento dos canteiros de obras. A resposta do secretário não deixou margens de dúvidas quanto à inadequação do momento para o retorno ao trabalho, dizendo que o mundo vive a sua terceira guerra mundial. Veja a resposta a esse pontos nos dois vídeos abaixo.
Já sem paciência para as argumentações no sentido de retomada dos trabalhos nos canteiros de obras, o secretário disse o seguinte: “Os senhores têm muito o que fazer e eu também. Os senhores têm uma opinião formada sobre o processo. Não vamos evoluir na conversa que se torna pouco produtiva”.
Já no final da live, Cabeto pediu objetividade nas questões e declarou que não tinha intenção de discutir o uso de medicamentos, como a hidroxicloroquina, em público. “Tem a ciência para isso. Tem muito chute”.
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