Testando casos prioritários, laboratório no Hemoce tem até 90% de exames positivos para Covid-19

Por Paulo Sergio 22/04/2020 - 10:35 hs

Um laboratório de emergência de biologia molecular para detectar casos de covid-19 foi instalado no Centro de Hematologia e Hemoterapia do Ceará (Hemoce) há 12 dias, no bairro Rodolfo Teófilo, em Fortaleza. A unidade foi habilitada para desafogar o Laboratório Central do Ceará (Lacen) com a demanda crescente por testes da doença, e vem constatando entre 80% e 90% de positividade nos exames que realiza.


A informação é de Fábio Miyajima, coordenador do laboratório e especialista em Ciência, Tecnologia, Produção e Inovação em Saúde Pública da Fundação Oswaldo Cruz no Ceará (Fiocruz-CE). Até esta terça-feira (21), a unidade havia processado mais de 500 amostras e liberado mais de 400 resultados para conhecimento do sistema de saúde. 

Segundo Fábio, as amostras enviadas ao local são “demanda prioritária” do Hospital São José de Doenças Infecciosas (HSJ) e de outros hospitais definidos pela Secretaria Estadual da Saúde (Sesa). Ele projeta que, em breve, também podem chegar exames do Hospital Leonardo da Vinci e do hospital de campanha do Estádio Presidente Vargas.

O coordenador avalia que o índice de positividade pode estar enviesado porque as amostras são de pacientes já internados com sintomas da doença. 

“Inicialmente, do HSJ, uma em cada três amostras dava positivo. Agora, com os hospitais abarrotados, leitos de UTI 100% tomados, temos um índice que está aumentando mesmo dentro dessa amostragem específica. Provavelmente, estamos em vias de atingir o pico da epidemia”, diz o pesquisador. 

Montagem rápida

“Trouxemos vários equipamentos da Fiocruz e a engenharia fez as adequações necessárias, em caráter de urgência”, afirma. Em uma semana, estava pronto para iniciar as análises RT-PCR, através de biologia molecular, que é considerado o método mais confiável para o diagnóstico da covid-19.

“Algumas amostras vêm de internações graves, então estamos implantando escala de priorização, por urgência. Se fosse só uma amostra, daria pra pegar amostra de manhã e soltar o resultado à tarde. Na máquina, demora 2 horas, mas o Estado tem uma fila enorme”, afirma antes de descrever um longo processo de etiquetagem e liberação dos exames. 


Na manhã desta quarta-feira (22), o Ceará tem 15.228 casos suspeitos da Covid-19 em investigação, de acordo com a plataforma IntegraSUS, da Sesa. “Todos são importantes, mas os casos menos prioritários são colocados no final da fila e podem levar semanas. Não é falta de vontade nossa, é a realidade que estamos enfrentando”, reconhece Miyajima.

DN