Em pronunciamento, Bolsonaro repete distorções sobre vacinas e empregos

Por Bernardo Barbosa e Juliana Arreguy 03/06/2021 - 09:14 hs
Foto: Reprodução/TV Brasil
Em pronunciamento, Bolsonaro repete distorções sobre vacinas e empregos
2.jun.2021 - O presidente Jair Bolsonaro faz pronunciamento à nação em rede nacional de TV e rádio

O presidente Jair Bolsonaro (sem partido) repetiu, em pronunciamento à nação na noite de hoje (2), declarações com dados distorcidos sobre vacinas e empregos no Brasil.

Bolsonaro voltou a dizer que o Brasil é o quarto país que mais vacina contra a covid-19 no mundo, o que só é verdade em números absolutos, mas não em termos de proporção da população; e que o país encerrou 2020 com mais empregos formais do que em 2019, uma comparação que não pode ser feita devido a mudanças no método de cálculo feitas pelo próprio governo. Veja as declarações já checadas pelo UOL Confere:

Presidente distorce ranking de vacinação

"O Brasil é o quarto país que mais vacina no planeta."

Presidente Jair Bolsonaro em pronunciamento à nação

A fala de Bolsonaro distorce o ranking dos países que mais vacinam, levando em conta uma conta feita apenas com números absolutos. Em termos proporcionais, segundo o painel da Our World In Data, da Universidade de Oxford, o Brasil é o 83º país no ranking de aplicação da primeira dose e o 85º na aplicação da segunda.

O presidente levou em conta os dados do painel que mostram a quantidade total de doses aplicadas pelos países, sem diferenciar primeira e segunda doses. Segundo o levantamento, o Brasil teve um total de 68,2 milhões de doses aplicadas, atrás de China (681,9 milhões), EUA (296,4 milhões) e Índia (213,1 milhões), e à frente do Reino Unido (65,2 milhões).

Bolsonaro distorce comparação de dados de empregos

"Terminamos 2020 com mais empregos formais que em 2019."

Presidente Jair Bolsonaro em pronunciamento à nação

Bolsonaro baseia esta declaração em dados do Caged (Cadastro Geral de Empregados e Desempregados), do Ministério da Economia, mas a comparação não é válida, já que houve mudança na forma de cálculo em 2020.

Além disso, a Pnad Contínua (Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios), do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), mostra que houve queda de 7,8% no emprego formal no setor privado entre 2019 e 2020.

No geral, a taxa média de desemprego atingiu nível recorde no Brasil no primeiro trimestre de 2021, segundo o IBGE: 14,7%.

O presidente já havia feito alegações incorretas sobre a situação dos empregos no país em lives nas últimas duas semanas.