O Senado nos planos de Camilo
O governador Camilo Santana (PT), mesmo ele, já não tem o pudor de antes para falar sobre os planos eleitorais para 2022. Na longa conversa com a turma do UOL, na semana passada, admitiu, sem meias palavras, que está disposto a entrar na briga pela vaga no Senado, agitando as conversas que acontecem longe dos microfones e dos espaços captados pelos jornalistas. Uma mudança em relação ao comportamento reticente de até então, alguns considerando que seja efeito dos movimentos recentes da oposição que, lembremos, teve o Capitão Wagner apresentando-se oficialmente como pré-candidato à sucessão estadual.
A voz que Camilo mais ouve nas grandes decisões que precisa tomar, pessoais ou políticas, carrega o seu sobrenome e o próprio sangue, já que se trata do pai, Eudoro Santana. Os aconselhamentos de agora indicam que o momento favorável não recomenda que o governador adote um caminho que o deixe sem mandato a partir de 2023, ou seja, o que for feito nesse momento será no sentido de encaixar uma candidatura do petista ao Senado, como ele próprio já começa a tratar de público. Inexiste um outro horizonte vislumbrado.
A questão é que a conversa entre aliados para montagem do palanque que tentaria uma continuação do grupo atual anda mais tensa do que faz crer a calmaria aparente reinante. Existe um nome de simpatia da turma que decide, que é o do ex-prefeito Roberto Cláudio (PDT), o próprio Camilo é entusiasta da opção, mas há resistências internas importantes que ainda precisam ser contornadas. Falando-se dos que estão livres para apoiar candidatos locais sem amarras nacionais, porque há ainda por considerar o estado de beligerância nacional esperada entre PT e PDT, inviabilizando qualquer aliança formal no Ceará.
O ideal com o qual trabalha o governador petista é a montagem de um palanque majoritário estadual sem candidato ao governo, puxado por sua candidatura ao Senado. O apoio ao nome do grupo Ferreira Gomes se daria na base da informalidade, trabalhando por dentro e sem o uso dos espaços formais da campanha petista. Tudo muito complexo, mas que precisa ser pensado desde já porque, repita-se, há uma oposição se movimentando sem qualquer timidez na ocupação dos espaços onde a dúvida ainda exista. Por isso é que o discurso de Camilo está mais aberto, ultimamente, quanto aos seus planos futuros na política.
OPOVOonline


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