Jair Bolsonaro e o crime continuado

Por Henrique Araújo 26/10/2021 - 10:53 hs
Foto: Marcos Correa
Jair Bolsonaro e o crime continuado
BOLSONARO voltou a propagar informações falsas sobre a vacina

Desde que o relatório da CPI da Covid foi anunciado e lido no Senado na semana passada, o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) vem dando mostras reiteradas do tipo de conduta que ensejou seu enquadramento em nove crimes.

É como se o presidente desejasse relembrar aos desmemoriados por que uma CPI foi criada quase seis meses atrás para investigar as ações do chefe do Executivo, àquela altura já fora dos padrões e vistas como uma das razões pelas quais o número de mortos no Brasil era tão alto e continuaria a crescer.

Das duas, uma. Ou Bolsonaro é um criminoso contumaz cujos atos não se detêm nem mesmo diante de perspectiva de processo e eventual afastamento; ou confia sobremaneira em que as denúncias e pedidos de indiciamentos contidos no relatório não irão prosperar na PGR ou na Câmara.

Entre quarta-feira (20), quando criticou as vacinas, defendeu o kit Covid e culpou o isolamento social pela crise econômica durante visita ao Ceará, e ontem, data em que o Youtube derrubou sua live que associava imunizantes à aids, Bolsonaro replicou todas as irregularidades que marcaram sua atuação durante a pandemia do coronavírus.

Estão lá o negacionismo, a desinformação, o desrespeito a medidas sanitárias, a terceirização de culpa, a sabotagem de ações de governos e prefeituras, o estímulo de medicação sem eficácia contra a Covid, a mentira deliberada contra a vacinação etc.

Hoje, quando os senadores votarem e aprovarem o relatório que recomenda o indiciamento do presidente e de outras 70 pessoas, não estarão se referindo a um comportamento que se restringiu a certo período mais agudo da pandemia e depois cessou, mas a um crime continuado, que segue agora, a despeito de 600 mil mortos e de tudo que a comissão expôs no curso de seu funcionamento, do atraso na compra de vacinas ao balcão de negócios montado por agentes do governo no Ministério da Saúde.

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