Ceará pede água ao MDR, mas Chesf manda 4 mil m³/s para o mar
Empresários cearenses da indústria e da agropecuária tomaram conhecimento, ontem, de uma informação oriunda da Chesf, segundo a qual a barragem de Sobradnho, cujo volume se aproxima dos 60% de sua capacidade de armazenamento, poderá liberar, no próximo dia 20, até 4 mil m³ por segundo, se a afluência seguir a curva de crescimento por causa das chuvas que desabam sobre as cabeceiras do rio São Francisco e de seus afluentes.
Serão 4 mil m³/s que serão jogados no mar. O Nordeste Setentrional, onde está o Ceará, precisa das águas do Projeto São Francisco e, ao vê-las ser despejadas no oceano, revolta-se.
Diante dessa otimista perspectiva antecipada pela Chesf, o empresariado cearense dirige uma pergunta ao Ministério do Desenvolvimento Regional (MDR), cujo titular, Rogério Marinho, goza merecidas férias:
Por que manter suspenso o bombeamento das águas do Projeto São Francisco para o ramal cearense do seu Canal Norte? Hoje, toda a água bombeada, em volume estimado em 20 m³/s, estão sendo desviadas para a Paraíba e o Rio Grande do Norte.
Atentem para o que diz a Carta Circular SOO-004-2022 da Chesf, datada de 11 deste mês:
“Tendo em vista que a Bacia do Rio São Francisco vivenciou um longo período de baixa hidraulicidade e que vazões liberadas do Reservatório de Sobradinho da ordem de 4.000 m³/s não são desde o ano 2009, é fundamental chamar atenção para a importância da não ocupação de áreas ribeirinhas situadas na calha principal do rio, haja vista o período úmido em curso e a possibilidade de elevação das vazões para valores acima de 4.000 m³/s, a depender da evolução do quadro de chuvas na Bacia. Importante destacar que a vazão de restrição no Vale é de8.000 m³/s”.
De acordo com a programação da elevação gradual das defluências para a barragem de Sobradinho, amanhã, sexta-feira, dia 14, o volume liberado será de 1.800 m³, ou seja, 500 m³ a mais do que o volume liberado ontem, 12.
O que preocupa e – mais do que isso – irrita e até revolta os empresários cearenses, principalmente os da agropecuária, é a insistência do MDR em manter suspenso o bombeamento para o Ceará. Esta coluna repete: todos os 20 m³/s bombeados hoje pela Estação Elevatória de Salgueiro para a barragem do Jati, no Sul do Ceará, estão sendo desviados para a Paraíba e o Rio Grande do Norte, que é terra natal e base política do ministro Rogério Marinho, pré-candidato a governador do vizinho estado. Este é o momento ideal para a retomada do bombeamento para o Ceará, porque o rio Salgado, por cujo leito as águas do São Francisco viajam para o açude Castanhão, está descendo com enchente. Isto significa que a viagem das águas será acelerada, pois não haverá perdas por infiltração.
É uma questão de bom senso. Ou há outra razão?
DN


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