Morador da Vila dos Papeleiros, na Zona Norte de Porto Alegre, Paulo é conhecido por quem circula pelo Centro Histórico da Capital. Com a ajuda da uma Kombi, recolhe todo tipo de material para reciclagem e objetos doados a ele. Em casa, recicla e vende.
A compra do veículo novo, há pouco mais de seis meses, só foi possível com a ajuda que começou com um pedido humilde e terminou com uma oferta que foi muito além do dinheiro.
"Eu conheci o Paulo há três anos, quando chamei ele para retirar umas caliças [restos de obra] lá de casa. Ele tinha uma Kombi velha e fez uma vaquinha para consertar ela, era uma lata velha. Depois que ela estragou de novo, não teve mais conserto. Ele teve que pegar uma carroça. Eu via ela sempre cheia, e ele de cima para baixo, magrinho. Eu pensava: 'O que vou fazer para ajudar esse homem?'. Ele não sabia que eu queria ajudar."
Sem a Kombi, o reciclador precisou usar uma carroça para trabalhar por dez meses. Como da primeira vez, ele deixou uma carta na caixa de correio dos moradores do bairro. No texto, pedia R$ 5 mil e dizia que devolveria o dinheiro. A Kombi, comprada de uma paróquia de Canoas e com pouco uso, custou cerca de R$ 14 mil. Para quitar o valor, Estela doou R$ 2 mil e se ofereceu para financiar os R$ 7 mil que faltavam.
"As pessoas me perguntam como eu fiz isso sem um contrato. Meus amigos criticavam, riam. Sou uma corretora, não tenho dinheiro sobrando, mas, no que a gente pode, a gente ajuda. Tenho as fotos dele no dia em que pegamos a Kombi, da felicidade dele".
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