Pressão sobre Cid Gomes expõe insegurança do grupo governista diante de possível candidatura de Ciro
A insistência de setores do grupo político ligado ao Governo do Ceará em empurrar uma candidatura de Cid Gomes (PSB) ao Senado em 2026 revela menos um projeto eleitoral consistente e mais um sinal claro de insegurança política. Isso porque o próprio Cid já foi categórico, em diversas ocasiões, ao afirmar que não será candidato a cargo algum, além de ter apresentado publicamente o deputado Júnior Mano (PSB) como seu nome ao Senado.
Ainda assim, a tentativa de “forçar a barra” continua — e não por acaso.
Um movimento que não nasce do PSB
O que chama atenção é que essa articulação não parte de Cid, nem do PSB, mas de segmentos diretamente ligados ao núcleo duro do governo Elmano de Freitas e à órbita política do PT no Ceará. O objetivo parece evidente: manter Cid no centro do tabuleiro eleitoral para evitar que ele se afaste completamente do processo caso Ciro Gomes (PSDB) decida disputar o Governo do Estado.
Trata-se de uma jogada defensiva. Para o grupo governista, o pior cenário é um Ciro candidato e um Cid neutro — ou, pior ainda, atuando silenciosamente nos bastidores contra o Palácio da Abolição.
A família Gomes como fator de risco
Apesar das tentativas de minimizar, a família Ferreira Gomes ainda é um fator político relevante no Ceará. Cid, Ivo e Lia têm trajetórias, eleitorados e influência que não podem ser desprezados. E todos sabem que, se Ciro for candidato, não haverá neutralidade confortável.
É ilusório imaginar Cid subindo em palanques onde o irmão seja atacado, desqualificado ou tratado como inimigo político. O histórico recente mostra exatamente o contrário.
O episódio de Crateús, quando Cid se recusou a descer à pista ao perceber a presença da prefeita Janaína Farias, deixou claro que há feridas abertas e mal resolvidas. Mais do que divergência política, pesa um fato considerado grave e imperdoável pela família Gomes: o pedido de prisão de Ciro Gomes feito pela prefeita. Esse tipo de ruptura não se apaga com conveniências eleitorais.
A decisão que assombra o Palácio da Abolição
Entre analistas políticos, há pouca dúvida: tudo depende da decisão de Ciro Gomes. Enquanto ele não define se disputará — e qual cargo disputará — o grupo governista permanece em estado de alerta.
Caso Ciro confirme candidatura ao Governo do Ceará, o movimento mais provável é que Cid se recolha politicamente, evitando exposição direta e concentrando esforços apenas na eleição de Júnior Mano ao Senado. Esse cenário é visto com preocupação pelo PT, pois retira do palanque governista uma figura que ainda serve como ponte com setores do eleitorado tradicional do “camilismo”.
O discurso da força e a fragilidade dos bastidores
O governador Elmano de Freitas costuma repetir que seu adversário terá que enfrentar 180 prefeitos aliados, dezenas de parlamentares, o ministro Camilo Santana e o presidente Lula, além das entregas administrativas do governo. No papel, o discurso impressiona.
Na prática, porém, a política cearense mostra que apoio institucional nem sempre se traduz em apoio popular automático. Nos bastidores, cresce a avaliação de que muitos prefeitos, pressionados por suas bases, poderão ser levados — não pelo governo, mas pelo povo — a dialogar ou até compor com Ciro Gomes, caso ele se apresente como candidato viável e competitivo.
Forçar Cid é admitir medo
Ao insistir em um nome que já disse “não”, o grupo governista acaba revelando mais do que gostaria: medo de enfrentar Ciro Gomes em campo aberto. A pressão sobre Cid soa menos como convite e mais como tentativa de controle, de amarração política, de impedir que ele tenha liberdade para agir conforme a própria consciência e os laços familiares.
No fim das contas, a movimentação escancara uma verdade incômoda para o Palácio da Abolição: o maior adversário de 2026 ainda nem confirmou candidatura — e já provoca tremores nos bastidores do poder.


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