Pressão sobre Cid Gomes expõe insegurança do grupo governista diante de possível candidatura de Ciro

Por Paulo Sergio de Carvalho 23/12/2025 - 08:53 hs
Foto: Reprodução
Pressão sobre Cid Gomes expõe insegurança do grupo governista diante de possível candidatura de Ciro
Pressão sobre Cid Gomes expõe insegurança do grupo governista diante de possível candidatura de Ciro

A insistência de setores do grupo político ligado ao Governo do Ceará em empurrar uma candidatura de Cid Gomes (PSB) ao Senado em 2026 revela menos um projeto eleitoral consistente e mais um sinal claro de insegurança política. Isso porque o próprio Cid já foi categórico, em diversas ocasiões, ao afirmar que não será candidato a cargo algum, além de ter apresentado publicamente o deputado Júnior Mano (PSB) como seu nome ao Senado.

Ainda assim, a tentativa de “forçar a barra” continua — e não por acaso.

Um movimento que não nasce do PSB

O que chama atenção é que essa articulação não parte de Cid, nem do PSB, mas de segmentos diretamente ligados ao núcleo duro do governo Elmano de Freitas e à órbita política do PT no Ceará. O objetivo parece evidente: manter Cid no centro do tabuleiro eleitoral para evitar que ele se afaste completamente do processo caso Ciro Gomes (PSDB) decida disputar o Governo do Estado.

Trata-se de uma jogada defensiva. Para o grupo governista, o pior cenário é um Ciro candidato e um Cid neutro — ou, pior ainda, atuando silenciosamente nos bastidores contra o Palácio da Abolição.

A família Gomes como fator de risco

Apesar das tentativas de minimizar, a família Ferreira Gomes ainda é um fator político relevante no Ceará. Cid, Ivo e Lia têm trajetórias, eleitorados e influência que não podem ser desprezados. E todos sabem que, se Ciro for candidato, não haverá neutralidade confortável.

É ilusório imaginar Cid subindo em palanques onde o irmão seja atacado, desqualificado ou tratado como inimigo político. O histórico recente mostra exatamente o contrário.

O episódio de Crateús, quando Cid se recusou a descer à pista ao perceber a presença da prefeita Janaína Farias, deixou claro que há feridas abertas e mal resolvidas. Mais do que divergência política, pesa um fato considerado grave e imperdoável pela família Gomes: o pedido de prisão de Ciro Gomes feito pela prefeita. Esse tipo de ruptura não se apaga com conveniências eleitorais.

A decisão que assombra o Palácio da Abolição

Entre analistas políticos, há pouca dúvida: tudo depende da decisão de Ciro Gomes. Enquanto ele não define se disputará — e qual cargo disputará — o grupo governista permanece em estado de alerta.

Caso Ciro confirme candidatura ao Governo do Ceará, o movimento mais provável é que Cid se recolha politicamente, evitando exposição direta e concentrando esforços apenas na eleição de Júnior Mano ao Senado. Esse cenário é visto com preocupação pelo PT, pois retira do palanque governista uma figura que ainda serve como ponte com setores do eleitorado tradicional do “camilismo”.

O discurso da força e a fragilidade dos bastidores

O governador Elmano de Freitas costuma repetir que seu adversário terá que enfrentar 180 prefeitos aliados, dezenas de parlamentares, o ministro Camilo Santana e o presidente Lula, além das entregas administrativas do governo. No papel, o discurso impressiona.

Na prática, porém, a política cearense mostra que apoio institucional nem sempre se traduz em apoio popular automático. Nos bastidores, cresce a avaliação de que muitos prefeitos, pressionados por suas bases, poderão ser levados — não pelo governo, mas pelo povo — a dialogar ou até compor com Ciro Gomes, caso ele se apresente como candidato viável e competitivo.

Forçar Cid é admitir medo

Ao insistir em um nome que já disse “não”, o grupo governista acaba revelando mais do que gostaria: medo de enfrentar Ciro Gomes em campo aberto. A pressão sobre Cid soa menos como convite e mais como tentativa de controle, de amarração política, de impedir que ele tenha liberdade para agir conforme a própria consciência e os laços familiares.

No fim das contas, a movimentação escancara uma verdade incômoda para o Palácio da Abolição: o maior adversário de 2026 ainda nem confirmou candidatura — e já provoca tremores nos bastidores do poder.