Por qual razão a pressa em saber do porque Ciro Gomes não anuncia logo a candidatura ao Governo do Ceará?
A política cearense vive um momento de expectativa, tensão e muitas especulações. No centro desse cenário está um silêncio que fala alto: Ciro Gomes ainda não anunciou oficialmente se será candidato ao Governo do Ceará. Essa demora tem provocado inquietação não apenas na oposição, mas principalmente dentro da própria base governista, onde cresce a sensação de insegurança e descompasso estratégico.
Nos bastidores, a chamada “turma do PT” e o grupo que hoje comanda o Estado estão, como se diz popularmente, com a pulga atrás da orelha. A indefinição de Ciro mexe com o tabuleiro político porque impede que a situação organize o jogo com clareza. Quando não se sabe quem será o adversário principal, todas as peças ficam fora do lugar. E isso tem causado nervosismo, dúvidas e até desgaste entre aliados do governo.
O cenário se complica ainda mais com a postura do senador Cid Gomes. Cid já declarou publicamente que não pretende mais disputar cargos eletivos, mas, mesmo assim, setores da situação insistem em empurrá-lo para uma tentativa de reeleição ao Senado. O objetivo seria claro: criar uma amarra política que dificultasse ou até inviabilizasse uma candidatura de Ciro ao Palácio da Abolição. Essa insistência, porém, gera ruídos, constrangimentos e amplia a sensação de indefinição dentro do próprio bloco governista.
Outro ponto sensível está na disputa pelas duas vagas ao Senado na chapa governista. O jogo pode inclusive endurecer ainda mais se o senador não emplacar o seu pupilo (Deputado Federal Junior Mano) a uma dessas vagas. A lista de postulantes é extensa e pesada: Guimarães, Eunício Oliveira, Chiquinho Feitosa, Chagas Vieira, Luizianne Lins — que, inclusive, flerta com uma possível saída do PT rumo ao PSOL —, Domingos Filho e, mais recentemente, Moses Rodrigues. É gente demais para poucas cadeiras. Como no baile político, alguém inevitavelmente vai “bailar sem par no salão”. E quando isso acontece, rompimentos não são apenas possíveis, são naturais.
É nesse ambiente de disputas internas, vaidades e projetos pessoais que o silêncio de Ciro Gomes ganha ainda mais peso. A pergunta ecoa nos corredores do poder e nas rodas de conversa política: por que ele não anuncia logo sua candidatura?
A resposta pode estar justamente na estratégia. Ao não se posicionar, Ciro mantém a situação em estado de alerta permanente. Sua indefinição alimenta dúvidas, trava articulações, dificulta acordos e expõe as fragilidades da base governista. Enquanto isso, adversários se desgastam entre si, antecipam conflitos e revelam fissuras que, mais adiante, podem ser exploradas politicamente.
Ciro Gomes e o PSDB seguem calados. Um silêncio calculado, que produz efeitos reais no xadrez político cearense. Se é estratégia ou apenas cautela extrema, só o tempo dirá. Por enquanto, resta ao mundo político fazer o que sempre fez bem: especular, tensionar e aguardar.


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