ABSURDO: CBF cala câmeras nas cabines e impõe mordaça às rádios nos estádios

Por Paulo Sergio de Carvalho 13/02/2026 - 18:58 hs
Foto: PSC Jornalismo Verdade
ABSURDO: CBF cala câmeras nas cabines e impõe mordaça às rádios nos estádios
Indignação no meio esportivo levanta debate sobre liberdade de imprensa e excesso de controle da CBF

A decisão da Confederação Brasileira de Futebol de vetar a captação e divulgação de imagens de narradores e comentaristas nas cabines de imprensa caiu como uma bomba no meio esportivo. A nova orientação, válida para competições sob responsabilidade da entidade, proíbe que rádios e web rádios exibam seus próprios profissionais durante a cobertura das partidas — mesmo sem mostrar imagens do campo de jogo.

A medida, vista por muitos como autoritária, atinge diretamente um modelo que se consolidou nos últimos anos: transmissões híbridas, em que o rádio tradicional ganhou força nas plataformas digitais, com câmeras voltadas apenas para narradores e comentaristas. O público abraçou o formato, aproximando-se dos profissionais e ampliando a audiência das emissoras.

Agora, por determinação da CBF, está vetada qualquer imagem interna das cabines ou de profissionais em atuação nas áreas de imprensa dos estádios.

Controle excessivo?

A justificativa extraoficial gira em torno da proteção dos direitos de transmissão. No entanto, críticos apontam que as rádios não exibem imagens das partidas — direito pertencente às emissoras detentoras — mas apenas o exercício da atividade jornalística.

A pergunta que ecoa entre comunicadores é direta: desde quando mostrar o próprio narrador trabalhando fere direitos comerciais?

Para muitos, a decisão revela uma postura centralizadora e excessivamente controladora por parte da entidade máxima do futebol brasileiro. Em vez de dialogar e atualizar regras diante da evolução tecnológica, optou-se pela proibição ampla e irrestrita.

Revolta generalizada

Rádios tradicionais e web rádios manifestaram indignação. Profissionais classificam a medida como um retrocesso e uma afronta à liberdade de imprensa. Em um momento em que a comunicação esportiva busca inovação para sobreviver à concorrência das grandes plataformas, a nova regra impõe um freio brusco justamente sobre os menores veículos.

Há também o impacto econômico: muitas emissoras monetizam transmissões em vídeo nas redes sociais, garantindo sustentabilidade financeira. Ao proibir as imagens das cabines, a CBF atinge diretamente essa fonte de receita.

Retrocesso na era digital

O rádio esportivo sempre foi símbolo de criatividade e adaptação. Sobreviveu à televisão, à internet e ao streaming reinventando-se constantemente. A decisão da CBF, no entanto, é vista como um movimento na contramão do tempo — uma tentativa de enquadrar o novo modelo digital em regras pensadas para outra realidade.

Nos bastidores, discute-se a possibilidade de questionamentos jurídicos. A tensão está instalada.

Ao invés de fortalecer o ecossistema do futebol e valorizar quem amplia a divulgação do esporte, a entidade escolheu o caminho da restrição. Para muitos profissionais, trata-se de um verdadeiro absurdo — e um perigoso precedente para a liberdade de cobertura jornalística no país.