Guimarães pode ser rifado da chapa ao Senado, silêncio de Cid amplia tensão na base de Elmano

Declaração enfática do líder de Lula na Câmara contrasta com articulações nos bastidores

Por Paulo Sergio de Carvalho 13/02/2026 - 17:27 hs
Guimarães pode ser rifado da chapa ao Senado, silêncio de Cid amplia tensão na base de Elmano
Deputado José Guimarães (PT) preocupado

O líder do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva na Câmara dos Deputados, José Guimarães (PT), tem repetido em alto e bom som que, se o Partido dos Trabalhadores tiver uma vaga para disputar o Senado no Ceará em 2026, o candidato será ele. A declaração é direta e sem margem para dúvidas: “O PT tendo uma vaga para o Senado no Ceará, esqueça, o nome é José Nobre Guimarães. Pode cobrar isso de mim.”

No entanto, nos bastidores da política cearense, o cenário aponta para outra direção.

A base governista liderada pelo governador Elmano de Freitas já acumula uma lista que se aproxima de dez nomes interessados nas duas vagas ao Senado em 2026. São lideranças de diferentes partidos aliados, com peso eleitoral e espaço político consolidado. Diante dessa pluralidade de pretensões, a equação se torna complexa — e delicada.

Para manter a unidade do grupo e evitar fissuras em um bloco que hoje governa o Estado com relativa estabilidade, cresce a avaliação de que será preciso construir uma chapa amplamente negociada. E é nesse tabuleiro que o nome de Guimarães começa a parecer mais distante da vaga desejada.

Nos corredores do poder, outro movimento chama atenção. O atual senador Cid Gomes permanece calado, mas aliados próximos indicam que ele não teria gostado nada do fato de o nome do deputado federal Junior Mano ter sido descartado da lista de postulantes ao Senado.

A exclusão do aliado teria gerado desconforto político, especialmente entre setores que defendem maior espaço para outras forças da base. Nesse contexto, o Podemos surge como possível nova casa dos dissidentes, caso um rompimento venha a se consolidar.

O silêncio de Cid, experiente articulador político, é interpretado por muitos como estratégia. Em política, nem sempre o silêncio significa neutralidade — às vezes, ele é o prenúncio de um movimento maior.

A disputa pelo Senado costuma ser o ponto mais sensível na montagem das chapas majoritárias. Diferentemente da eleição proporcional, são apenas duas vagas em jogo, o que amplia tensões e vaidades. Dentro desse contexto, aliados avaliam que insistir em uma candidatura “imposta” poderia provocar rupturas indesejadas na base.

Para evitar rompimentos — que muitos já consideram inevitáveis se não houver acomodação política — a tendência é que Guimarães seja demovido do projeto de disputar o Senado neste momento. A leitura pragmática é simples: preservar a unidade agora pode garantir mais força no futuro.

Guimarães é hoje uma das principais lideranças do PT no Ceará, ocupa posição estratégica como líder do governo Lula na Câmara e mantém forte interlocução com o Palácio do Planalto. Seu capital político não está em declínio — pelo contrário. O que está em debate é o timing.

A decisão final passará inevitavelmente por Brasília e pela cúpula nacional do partido, mas também dependerá do arranjo estadual costurado por Elmano. Caso o PT precise ceder espaço para contemplar outros partidos da base, o nome do deputado pode ficar para uma próxima oportunidade.

Mais do que uma candidatura individual, a disputa envolve o equilíbrio de forças dentro do campo governista no Ceará. Rifado ou não, Guimarães continuará sendo peça-chave na engrenagem política do PT local e nacional.

Resta saber se o partido confirmará a promessa feita pelo deputado ou se, em nome da unidade e da estratégia eleitoral, pedirá que ele espere mais um ciclo. Em política, vontade pessoal raramente supera a matemática das alianças — e 2026 já começou nos bastidores.