Quem será o próximo a ser “rifado”?
Nos bastidores do Abolição, disputa pelas vagas ao Senado expõe tensão, recados públicos e o risco de novas baixas dentro da base governista
A disputa pelas duas vagas ao Senado na chapa governista do Ceará começa a ganhar contornos cada vez mais delicados — e o clima nos bastidores do Palácio da Abolição já é de tensão máxima. Entre articulações, recados públicos e movimentos estratégicos, a grande pergunta que ecoa na política cearense é: quem será o próximo a ser “rifado” pelo grupo governista?
O primeiro grande sinal de que ninguém possui cadeira cativa veio com o enfraquecimento da pré-candidatura do deputado federal José Guimarães. Depois de afirmar publicamente que “não abria nem para um trem”, o líder petista acabou sendo retirado do centro da disputa senatorial pelo próprio PT. Como compensação política, foi alçado ao Ministério das Relações Institucionais, espaço deixado pela deputada Gleisi Hoffmann, que deverá disputar o Senado no Paraná.
Nos bastidores, a leitura é clara: a montagem da chapa majoritária exigirá sacrifícios políticos — e ninguém parece totalmente seguro.
Agora, o foco das especulações se volta para o deputado federal Eunício Oliveira, um dos principais nomes do MDB para ocupar uma das duas vagas ao Senado. Diferente de outros pré-candidatos que aguardam definições silenciosamente, Eunício resolveu antecipar o debate e mandou um recado direto ao núcleo governista.
Em entrevista recente ao Ponto Poder do Jornal Diário do Nordeste, o emedebista deixou claro que possui estrutura partidária própria e independência para sustentar sua candidatura:
“Eu não tenho absolutamente nenhuma preocupação com a disputa de uma vaga na candidatura majoritária. Eu tenho um partido político, se eu quiser ser candidato a senador, eu serei.”
A fala foi interpretada por aliados e adversários como um claro aviso político ao grupo liderado pelo governador Elmano de Freitas e ao núcleo petista no Ceará. Mais do que reafirmar disposição eleitoral, Eunício cobrou lealdade — especialmente lembrando alianças construídas em 2018.
O tom adotado pelo deputado também levanta dúvidas inevitáveis: estaria Eunício percebendo sinais de que o grupo governista trabalha silenciosamente por outro nome? O MDB corre risco de perder espaço justamente no momento decisivo da montagem da chapa?
A verdade é que o cenário se tornou uma equação política complexa. O PT precisa acomodar interesses internos, preservar alianças nacionais, manter a base unida e ainda contemplar partidos estratégicos da coalizão. O problema é que existem mais pretensos candidatos do que vagas disponíveis.
E quando a matemática política não fecha, alguém acaba sobrando.
Nos corredores do poder, cresce a percepção de que a disputa pelo Senado no Ceará deixará marcas profundas dentro da própria base governista. Afinal, depois de Guimarães ter sido retirado da corrida mesmo sendo um dos homens fortes do PT nacional, ficou evidente que ninguém é intocável.
A pergunta agora permanece no ar:
Será Eunício Oliveira o próximo a ser “rifado” pelo grupo governista?


Paulo Sergio de Carvalho - Quem será o próximo a ser “rifado”?