Fação criminosa teria obrigado família a vender casa por valor abaixo do mercado em Caucaia
A expulsão de moradores é um dos principais crimes atribuídos aos suspeitos presos na Operação Vesta, deflagrada pela Polícia Civil na manhã desta terça-feira, 23, em Caucaia, na Região Metropolitana de Fortaleza. Em um dos casos investigados, os criminosos, além de expulsarem uma família de sua residência, obrigaram as vítimas a vender o imóvel por uma fração do valor real de mercado.
"A casa era avaliada, por exemplo, em R$200 ou R$250 mil. Essa casa foi adquirida por R$20 mil. Então, eles simulavam a compra desse imóvel, como se pessoa estivesse repassando licitamente, obviamente, todos sob ameaça", afirmou à rádio O POVO CBN o delegado Rômulo Melo, titular da 1ª Delegacia Seccional da Região Metropolitana.
Ao todo, sete pessoas foram presas na operação. Os alvos são apontados como integrantes da facção criminosa Comando Vermelho (CV) e teriam atuação em bairros de Caucaia como Genipabu, Capuan e Jandaiguaba.
A denúncia contra o grupo havia sido ofertada em março pelo Ministério Público Estadual (MPCE). Na peça acusatória, os suspeitos constavam como integrantes da facção Massa Carcerária. Posteriormente, eles teriam migrado para o CV.
Conforme as investigações, Antônio Alexsandro Paulino da Silva, de 44 anos, um dos presos nesta terça, é apontado como a principal liderança do bando. Ele teria assumido o comando após o irmão, Francisco Aislan Paulino da Silva, o "Zói de Gato", ser morto em janeiro deste ano.
Os demais suspeitos presos seriam responsáveis por executar e coordenar as atividades ilícitas, assim como funcionariam “como operadores financeiros, logísticos e intermediários da organização criminosa”.
Facção deu 12 horas para moradores deixarem a própria casa
Com relação à expulsão de moradores, Rômulo Melo descreve que os imóveis, quando não eram repassados para pessoas de confiança dos criminosos, eram alugados. O delegado afirma que as vítimas eram pessoas que os faccionados desconfiavam de ter relação com as forças de segurança.
Em um dos episódios de expulsão narrados pelo MPCE, os criminosos deram um prazo máximo de 12 horas para a família deixar o local. Na ocasião, os investigados Francisco Aislan e Emanuel Gilson do Nascimento Rufino coagiram as vítimas a vender a propriedade por R$ 50 mil.
"Segundo o relato, Emanuel Gilson deixou R$ 20.000,00 como entrada, prometendo o restante em parcelas por meio de laranjas. Entretanto, ainda no mesmo dia, metade desse valor foi recolhida pelos criminosos, a mando de Francisco Aislan", consta na peça acusatória.
Agiotagem e lavagem de dinheiro
Além dos deslocamentos forçados, a Polícia Civil identificou a prática de crimes como agiotagem e lavagem de dinheiro. A denúncia aponta que Emanuel Gilson emprestava dinheiro mediante a cobrança de juros de 30%, exigindo ainda uma taxa adicional de R$ 10 por dia de atraso.
Outra descoberta da investigação foi a utilização de uma oficina mecânica para a lavagem do dinheiro obtido de forma ilícita. Foi nesse estabelecimento que, em fevereiro deste ano, Emanuel Gilson acabou preso em flagrante com papelotes de cocaína prontos para a comercialização — flagrante que deu origem à investigação atual.
Outro pilar financeiro do grupo seria Cristiane Lima de Matos. Pela conta bancária dela, teria passado R$ 5 milhões em cerca de 10 meses.
“Em análise preliminar, verificou-se que a conta bancária de Cristiane Lima era amplamente utilizada pelo grupo investigado para a movimentação de valores suspeitos de lavagem de capitais, circunstância que, dada sua complexidade, será objeto de aprofundamento em procedimento investigatório próprio”, afirmou o MPCE na denúncia de fevereiro.
Confira quem são os suspeitos presos
Além de Antônio Alexsandro e Cristiane Lima, foram presos na operação desta terça-feira:
- * Cristiano Chaves de Matos, o “Gago”, de 31 anos;
- * Paulo Roberto Silva Santos, de 38 anos;
- * Natália Ribeiro dos Santos, de 30 anos;
- * Carlos André Ferreira da Rocha, o “Chinês”, de 45 anos;
- * Pedro Henrique Mota de Araújo, de 22 anos.
Com informações de Gabriele Félix/Especial para O POVO


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