Brasil escolhe hoje entre o retorno de um Bolsonaro e o 4º mandato de Lula

Por Redação UOL 25/10/2026 - 09:35 hs
Foto: Tita Barros e Adriano Machdo/Reuters
Brasil escolhe hoje entre o retorno de um Bolsonaro e o 4º mandato de Lula
Flávio Bolsonaro e Lula disputam o segundo turno neste domingo (25)

Mais de 158 milhões de eleitores brasileiros aptos a votar decidem hoje entre o retorno de um integrante da família Bolsonaro ao poder e mais quatro anos de mandato para Lula. Após uma campanha extremamente polarizada, marcada pelo alto índice de rejeição aos dois candidatos, o Brasil escolhe hoje seu 40º presidente em uma eleição que pode ser a mais apertada da história. A votação acontecerá das 8h às 17h (horário de Brasília).

As pesquisas Quaest e Datafolha divulgadas nesse sábado (24) apontam o senador Flávio Bolsonaro (PL) com 51% dos votos válidos, contra 49% do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) —no primeiro turno, o parlamentar carioca avançou com 47% ante 45% do petista. Em 2022, eleição presidencial mais apertada até hoje, Lula derrotou Jair Bolsonaro (PL) no segundo turno por 50,9% a 49,1%, uma diferença de apenas 2,1 milhões de votos.

Neste domingo, Flávio e Lula disputam cerca de 49 milhões de votos, considerando 9,3 milhões de eleitores que votaram nos outros candidatos do primeiro turno e 33,4 milhões que não foram votar, provocando uma abstenção recorde de 21,07%.

Retorno dos Bolsonaros

Com 45 anos, Flávio é o filho mais velho de Bolsonaro e repetiu ao longo da campanha que, se vencer a eleição, concederá indulto ou graça presidencial a seu pai, que está em prisão domiciliar após ser condenado pelo STF (Supremo Tribunal Federal) por tentativa de golpe de Estado, para que ele suba a rampa do Palácio do Planalto ao seu lado na posse, marcada para o dia 5 de janeiro de 2027. Em sabatina, Flávio não descartou dar um cargo ao pai caso seja eleito hoje.

Desacreditado por algumas lideranças da própria direita e do centrão quando foi escolhido por Bolsonaro para representá-lo nas urnas, no fim de 2025, Flávio se consolidou como principal oponente de Lula ao longo deste ano se apresentando como um bolsonarista mais moderado do que o pai e os irmãos, um discurso de endurecimento da política de segurança pública, como redução da maioridade penal e castração química a estupradores, e explorando os aumentos do custo de vida e de endividamento das famílias nos últimos anos.

Ao longo da campanha, Flávio conseguiu minimizar os impactos das acusações de envolvimento no escândalo do Banco Master, após a revelação de que havia pedido —e obtido— um financiamento milionário do ex-banqueiro Daniel Vorcaro ao filme "Dark Horse", sobre a vida de seu pai, e de lavagem de dinheiro junto com o advogado Willer Tomaz, de quem é amigo e suposto sócio, o que ele nega. Nos dois casos o senador é alvo de investigação em inquéritos da PF que tramitam no Supremo.

No primeiro turno, o PL de Flávio Bolsonaro elegeu as maiores bancadas na Câmara dos Deputados (121 parlamentares) e no Senado (19 eleitos e 28 senadores ao todo). Com as adesões de cinco partidos e federações no segundo turno, o senador pode formar uma ampla base de apoio para aprovar projetos do seu interesse em um eventual governo. Essa pretensa governabilidade também foi usada como trunfo eleitoral no embate contra Lula.

Quarto mandato de Lula

Aos 80 anos, o presidente Lula explorou ao longo da campanha a experiência de três governos, indicadores positivos de emprego, e um vasto pacote de bondades no período eleitoral, como reajuste no Bolsa Família, perdão de dívidas para MEIs e proibição das bets, em busca da reeleição. Caso vença hoje, o petista chegará ao quarto mandato presidencial, o que pode levá-lo a comandar o país por 16 anos —ele ficaria apenas atrás de Getúlio Vargas, que acumulou 18 anos na Presidência da República.
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