Arara colada em árvore? Traficantes usavam armadilha para roubar aves

Por Giacomo Vicenzo 21/07/2023 - 11:03 hs
Foto: Reprodução
Arara colada em árvore? Traficantes usavam armadilha para roubar aves
Casal de araras-azuis em ninho artificial

Uma arara-azul "grita" em uma árvore no Pantanal sul-mato-grossense, aos poucos outras aves vêm ao seu encontro e pousam próximas uma das outras. Ao tentar alçar voo, novamente, nenhuma delas consegue, pois estão grudadas pelas patas, e mesmo se debatendo, não conseguem se desvencilhar da armadilha cruel montada por traficantes de animais.

https://youtu.be/yQXnKglTi7M

A cena acima foi encontrada por Neiva Guedes, bióloga criadora do Instituto Arara Azul, logo quando iniciou sua empreitada de preservação da espécie em 1989, momento em que apenas 2.500 araras-azuis viviam no Brasil - sendo 1.500 delas no Pantanal.

"Quando comecei o projeto, estava no final do ciclo dessas caças. Os traficantes vinham de fora do Pantanal e traziam uma arara-azul mansa e passavam visgo, uma espécie de cola nos galhos secos e colavam essa arara. Como ela é um animal que vive em comunidade, quando elas gritam as outras veem", conta a bióloga em entrevista a Ecoa para a série Oeste - Heróis Improváveis.

Predadores humanos e silvestres

Se não bastasse o ataque de humanos à espécie pelo tráfico ilegal de animais silvestres, queimadas e destruição do bioma, a arara-azul é um ser "frágil" na natureza, que enfrenta diversos tipos predadores em seu habitat natural, como onças, gambás e tucanos - que comumente predam os ovos ou filhotes dessas araras, que tem em média apenas dois herdeiros por ninhada.

Além disso, uma arara-azul pode demorar até nove anos para entrar em seu período de maturidade sexual.

Mas mesmo com as intempéries naturais à vida selvagem, foram os humanos os principais vilões que aproximaram a arara-azul da extinção.

Arara-azul pode demorar até nove anos para atingir a maturidade sexual. Imagem: Getty Images


A captura de filhotes, adultos e ovos esteve foi um dos principais fatores que quase apagou a presença desses seres na natureza. O Instituto Arara Azul estima que mais de 10 mil dessas aves foram retiradas da natureza até meados de 1980.

Salvando a espécie do ninho ao rádio

Além de uma forte estratégia de conscientização ambiental em parceria com os pantaneiros e que contou com a ajuda de locutores de rádios locais, Neiva e sua equipe criaram ninhos artificiais, feitos de madeira, que foram espalhados pelas árvores do Pantanal, pois os animais enfrentavam um problema: queriam reproduzir, mas tinham dificuldade para encontrar onde.

Em 2005, eram 5 mil dessas aves, somente em Mato Grosso do Sul, afastando o risco de extinção da espécie.