Cid Gomes se mantém em silêncio sobre coordenação da campanha de Elmano à reeleição
O cenário político cearense ganhou novos contornos após declaração do governador Elmano de Freitas (PT), na última segunda-feira (9), durante agenda no município de Missão Velha. Na ocasião, Elmano afirmou que pretende contar com o ministro da Educação, Camilo Santana (PT), e com o senador Cid Gomes (PSB) como coordenadores de sua campanha à reeleição em 2026.
A fala do governador repercutiu nos bastidores da política estadual, especialmente pelo fato de que, até o momento, Cid Gomes não se pronunciou oficialmente sobre o convite ou sobre a possibilidade de assumir papel central na articulação eleitoral do petista.
O silêncio do senador chama atenção, sobretudo por seu histórico de protagonismo nas articulações políticas no Ceará e pelo atual contexto de movimentações antecipadas em torno do pleito estadual. Cid é irmão do ex-ministro e pré-candidato ao Governo do Estado, Ciro Gomes (PSDB), o que adiciona um componente estratégico à sua eventual participação na campanha de Elmano.
Nos bastidores, o grupo governista tem intensificado gestos públicos de aproximação com o senador. Em eventos recentes e declarações à imprensa, aliados de Elmano têm reforçado elogios à trajetória política de Cid e destacado sua importância na construção de projetos estruturantes para o Estado, numa clara sinalização de que desejam contar com seu apoio ativo no processo eleitoral.
Em meio às articulações, Cid também comentou a possibilidade de uma eventual saída antecipada de Camilo Santana do Ministério da Educação para se dedicar ao processo eleitoral. O senador foi enfático ao afirmar que, enquanto ministro, Camilo representa uma “sombra” positiva para o governador, mas que, fora do cargo, poderia se tornar um “fantasma” no cenário político — declaração interpretada por analistas como um alerta sobre os riscos estratégicos de uma desincompatibilização prematura.
Procurado pela reportagem para comentar as declarações de Elmano e esclarecer se aceitará coordenar a campanha à reeleição, Cid Gomes não se manifestou até o fechamento desta matéria.
O silêncio do senador, aliado às movimentações públicas do grupo governista, mantém o tabuleiro político em aberto e reforça as expectativas sobre os próximos passos das principais lideranças do Ceará rumo a 2026.


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