As contas públicas são uma bomba-relógio que explodirá em 2027
Nenhum dos pré-candidatos à Presidência da República está dizendo o que fará para consertar o estado brasileiro e seu governo
Ontem, na hora do almoço, dois empresários cearenses, ambos da indústria, analisaram o cenário nacional da economia e da política, e o que eles disseram à coluna é o que, resumidamente, está descrito a seguir:
Até este momento, nenhum dos pré-candidatos à eleição presidencial deste ano – Luiz Inácio Lula da Silva, Flávio Bolsonaro, Romeu Zema e Ronaldo Caiado – apresentou seu plano de governo. Esse quarteto mostra disposição total para acusar os adversários e nenhuma para dizer o que fará para desarmar a bomba-relógio da economia, que tem tudo a ver com a frágil – e põe fragilidade nisso – situação das contas públicas.
A torcida do Flamengo já antevê a explosão dessa bomba-relógio e o caos financeiro que ela causará no próximo ano de 2027, algo que os economistas estão a prever, também.
Nenhum dos pré-candidatos parece estadista, este é o lado triste do cenário, que está pintado com as cores da tristeza. Você, caro leitor, compraria um carro usado de Flávio Bolsonaro? E de Lula, você compraria? E de Zema? E de Caiado?
Na Roma antiga, o imperador dizia: “A mulher de César não basta ser honesta, deve parecer honesta.” Neste ano eleitoral, a virtude da honestidade é a que o eleitor brasileiro deve exigir da política e dos políticos, principalmente dos quatro supracitados. E, também, dos meritíssimos juízes, pois nos últimos tempos até o próprio Poder Judiciário, o STF no meio, está sob suspeição.
Os presidenciáveis parecem toscos. Lula leva uma certa vantagem porque tem a experiência de quem governa o país há muito tempo, construiu uma imagem internacional, conhece e é conhecido dos principais líderes políticos mundiais. Mas seus pronunciamentos são, rigorosamente, contraditórios e aqui não há espaço para cita-los com detalhes.
Seus adversários, por outro lado, tentam remar contra a corrente do desconhecimento (no Norte do país, sabe-se quase nada de Romeu Zema ou de Ronaldo Caiado). O senador Flávio Bolsonaro está ganhando notoriedade nacional por um viés lamentável: a sua agora revelada radioativa relação de amizade com Daniel Vorcaro, o fundador do Banco Master, a quem pediu R$ 134 milhões para o custeio do filme sobre a vida do seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro, algo que considerou “uma mentira”, no primeiro momento, e “um contrato lícito”, nos momentos subsequentes.
Antes de tornar-se, oficialmente, candidato do PL ao Palácio do Planalto, Flávio Bolsonaro terá de explicar por que, na conversa com Vorcaro, gravada no celular do banqueiro e periciado pela Polícia Federal, fez uma promessa: “Estarei contigo, sempre”, como se assumisse um compromisso com um reconhecido e confesso criminoso, que comprou, com dinheiro vivo, quem quis e onde quis nos três poderes da República.
O Brasil e seu atual governo são um barco à deriva. Na opinião dos dois industriais cearenses que falaram ontem a esta coluna, há tempo e espaço, ainda, para o surgimento de uma candidatura “outsider” à presidência da República, daquelas que, de tempos em tempos, aparece com faixas e cartazes de “salvador da pátria”.
Não é de salvador da pátria que precisa o país, mas de um líder acima de qualquer suspeita, no qual a população e o futuro Parlamento possam confiar e ao qual se entregue a tarefa de reconstruir o que está destruído nos planos ético, moral, econômico, financeiro e social.
O que aguarda o eleito no pleito presidencial do próximo mês de outubro é uma tarefa hercúlea, a começar por expulsar das instituições o crime organizado que delas se apropriou – e o escândalo do Banco Master tem tudo a ver com ele.
Repor nos trilhos o trem do desenvolvimento econômico exigirá a reunião do Congresso Nacional com o Executivo e o Judiciário, cada um no seu quadrado como determina e ordena a Constituição. E todos a favor das reformas indispensáveis, a primeira das quais, a mãe de todas, é a política (o Brasil tem mais de 30 partidos políticos, cada um com sua ideologia, a maioria voltada para os próprios interesses dos seus filiados)
Os ministros do STF, hoje transformado em corte criminal, devem ater-se à solução das dúvidas constitucionais; deputados e senadores devem limitar-se à elaboração das leis; e o Executivo, sob um planejamento estratégico que não existe hoje e parece que não existirá amanhã, deve cuidar dos seus afazeres, um dos quais será a redução do seu tamanho (como governar com 40 ministérios?), o combate à corrupção (trabalho já iniciado pela Polícia Federal) e a urgentíssima redução dos seus gastos.
Tudo dependerá, majoritariamente, do Congresso que o eleitorado fará nascer das urnas de outubro. Se o crime organizado ampliar sua representação na Câmara e no Senado, o serviço de reconstrução do país tornar-se-á bem mais difícil. Mas também isto dependerá da liderança, do carisma e das virtudes morais e éticas do futuro presidente da República.



Paulo Sergio de Carvalho - Quem será o próximo a ser “rifado”?