Declaração de Elmano de Freitas contrasta com avanço das facções no Ceará

Por Paulo Sergio de Carvalho 26/01/2026 - 19:04 hs
Foto: Reprodução/Instagram
Declaração de Elmano de Freitas contrasta com avanço das facções no Ceará
Declaração de Elmano de Freitas contrasta com avanço das facções no Ceará

Ao afirmar que “no Ceará quem manda é o Estado”, o governador Elmano de Freitas (PT) tentou transmitir uma mensagem de controle e autoridade diante do avanço da criminalidade.

A declaração, feita nesta segunda-feira, no entanto, esbarra em uma realidade cada vez mais presente em diversas regiões do Estado, onde facções criminosas impõem regras, promovem expulsões forçadas de moradores e desafiam, na prática, o poder público.

Segundo Elmano, não existe bairro ou comunidade no Ceará em que as forças de segurança não consigam entrar. A fala, porém, contrasta com episódios recentes de violência e coerção registrados em municípios do Interior e da Região Metropolitana de Fortaleza, onde o crime organizado tem ocupado espaços, controlado territórios e provocado o medo coletivo.

Um dos casos mais graves ocorreu na comunidade rural de Uiraponga, no município de Morada Nova. Moradores foram obrigados a deixar suas casas após receberem ordens de um grupo criminoso, sob ameaça de morte.

O resultado foi o esvaziamento quase total da localidade, com comércio fechado, aulas suspensas e o posto de saúde sem funcionamento — um retrato de colapso social que desafia o discurso oficial.

Situações semelhantes vêm sendo relatadas em outras áreas do Ceará, onde famílias são expulsas de suas residências em prazos curtos, muitas vezes de 24 horas, sem qualquer garantia de proteção imediata por parte do Estado. Para moradores dessas regiões, quem dita as regras não é o governo, mas facções armadas que operam livremente.


Embora o governador reconheça a existência de disputas entre grupos criminosos, especialistas apontam que admitir o conflito sem apresentar resultados concretos no controle territorial reforça a sensação de fragilidade do Estado. A presença policial pontual, sem ocupação permanente e políticas sociais eficazes, tem se mostrado insuficiente para conter o avanço do crime organizado.

A fala de Elmano, ao tentar reafirmar autoridade, acaba ampliando o contraste entre o discurso institucional e o cotidiano de comunidades abandonadas à própria sorte. Enquanto o governo sustenta que “quem manda é o Estado”, moradores afetados pela violência seguem aguardando ações concretas que devolvam segurança, serviços públicos e o direito básico de permanecer em suas próprias casas.