Lula sugere a Trump em ligação que Conselho da Paz se limite a Gaza e defende ‘estabilidade’ na Venezuela
Segundo a assessoria de imprensa do Palácio do Planalto, a conversou aconteceu às 11h desta segunda-feira e durou cerca de 50 minutos. Na ligação, os líderes abordaram "temas relacionados à relação bilateral e à agenda global."
Ao falar sobre sobre o convite formulado pelos EUA para que o Brasil participe do Conselho da Paz, Lula propôs que o órgão se limite à questão de Gaza e preveja assento para a Palestina.
"Nesse contexto, reiterou a importância de uma reforma abrangente da Organização das Nações Unidas, que inclua a ampliação dos membros permanentes do Conselho de Segurança", diz a assessoria.
Embora o território palestino tenha sido citado por Trump como foco central do novo órgão, Gaza não aparece explicitamente no texto do estatuto. Durante a ligação, os dois presidentes combinaram uma visita de Lula a Washington após a viagem do brasileiro à Índia e à Coreia do Sul em fevereiro. A data exata ainda será definida em breve, segundo o Planalto.
Vários países importantes no cenário internacional já rejeitaram o convite de Trump para compor o Conselho da Paz ou ainda não responderam, alegando necessitarem de tempo para entender o objetivo e a abrangência da iniciativa. Entre os que declinaram estão Reino Unido, França, Espanha e Itália, aliados dos EUA na Europa. O Brasil ainda está estudando a proposta, assim como a China e a Rússia, mas a tendência é a rejeição devido à percepção de que o órgão proposto por Trump — que se arrogou sua presidência vitalícia — seria mais um instrumento na realização dos objetivos de política externa do republicano.
Segundo apurou O GLOBO, se o escopo for reduzido à situação em Gaza, as chances de o Brasil aderir aumentariam, afirmam auxiliares do presidente Lula. Nas palavras de um interlocutor, o Brasil não quer dar um “cheque em branco” a Trump, o que poderia contribuir para agravar o quadro de debilidade da ONU.
Em entrevista ao GLOBO na semana passada, o assessor especial para Assuntos Internacionais da Presidência, Celso Amorim, afirmou que ainda não há clareza suficiente sobre a natureza e as implicações do convite para integrar o Conselho da Paz de Trump. Segundo ele, o texto da carta é confuso “porque começa a falar de uma coisa e depois vai se alargando no documento anexo”, e representa, na prática, uma revogação da ONU — sobretudo na área de paz e segurança — o que seria “inaceitável”.


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